Supermedicação infantil


A Revista Época de 04/12/2006 traz como matéria de capa: “Estamos dando remédios demais para as crianças ?”, onde ela destaca os riscos enfrentados por crianças e adolescentes que tomam medicamentos psiquiatrícos para tudo – de falta de atenção a hiperatividade, entre as principais doenças destaca-se o TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade).

Entre os casos mostrados pela revista, destacam-se dois casos: o primeiro é o dos adolescentes de Sharpsville, Pensilvânia, Stephen e Jacob Meszaros de 15 e 14 anos respectivamente, nos últimos 3 anos os dois juntos já tomaram mais de 28 drogas diferentes, para problemas como controle de humor, redução da raiva, baixa concentração…etc, a mãe Tricia Kehoe diz que os remédios tem funcionado e tem feito uma grande diferença ao contrário da época, em que eles não tomavam os remédios.

O segundo caso em destaque é o do estudante paulista Diego Naves Santos, de 18 anos,
ele sofreu de depressão aos 14 anos, ia mal na escola, discutia com os pais, sofreu uma decepção amorosa, após pesquisar por conta própria, achou que tivesse transtorno bipolar, o psiquiatra diagnosticou depressão e receitou o antidepressivo Pondera, mas não teve efeito. Diego pirou, passando a pintar os olhos, vestir roupas escuras e se automutilar. Um segundo psiquiatra trocou o antidepressivo e Diego passou a tomar o remédio floxetina, nome genérico do Prozac, foi receitado também para que ele tomasse o remédio Depakote, um anticonvulsivante usado para combater alterações bruscas de humor.Ele diz ter trocado o ocultismo por autores existencialistas como Nietzsche e Schopenhauer.

A matéria também informa que só nos Estados Unidos, o consumo infantil de drogas anti-psicóticas nos Estados Unidos cresceu 71% entre 2001 e 2005. No Brasil, o consumo do remédio Ritalina, usado no combate ao TDAH, teve 356.925 caixas vendidas em 2006 até o mês de outubro.

A questão que a revista levanta é a seguinte: será que médicos, famílias e escolas não estariam medicando características que na verdade compõem o largo espectro dos traços de personalidade? “Parece que a medicina tem o poder de curar tudo. Ninguém pode ter uma decepção, ficar triste. Hoje todos querem uma pílula”, diz o neurologista Eduardo Genaro Mutarelli, professor da Universidade de São Paulo. “Não se investe mais nas relações afetivas, no desenvolvimento das emoções. E esse modelo é imposto às crianças.”

A evolução da medicina relegou a um segundo plano a subjetividade do paciente. As soluções aparecem em forma de comprimidos. Com isso, as famílias se vêem desobrigadas de procurar as raízes da tristeza, do mal-estar, do desajuste. Muitas vezes, eles brotam de relações familiares conturbadas, de rotinas mal organizadas ou estressantes, de angústias não-verbalizadas. Muitas crianças e adolescentes têm sido tratados por transtornos psiquiátricos, quando, na verdade, têm um problema psicológico – ou nem isso. Ao mesmo tempo, o avanço do conhecimento sobre a química do cérebro e as novas ferramentas de diagnóstico por imagem permitem detectar transtornos psiquiátricos genuínos em pessoas que antes poderiam passar a vida sofrendo sem receber a devida atenção. É essa dualidade que torna o debate tão rico e oportuno.

Matéria completa no site da revista Época.

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